Tá ruim, mas pode ficar pior!!!!!

 

Esta história se passou há alguns anos em nosso clube de aeromodelismo e relata com muito humor que, se as coisas estão ruins não diga nada pois “podem piorar”!!!

Eu e um amigo, éramos recém-chegados ao clube e começávamos a nos integrar ao pessoal, inclusive aos mais antigos, de quem dependíamos das aulas de instrução para poder voar, e também por que nossos pousos sempre limpavam o pessoal de perto da pista...  nada muito diferente dos “manikakas” que conhecemos!!!

Nessa fase fomos bem prestativos, ajudávamos os mais experientes, carregávamos suas caixas-de-campo, e perturbávamos os vôos com tantas quanto fossem possíveis as perguntas... até porque, pequenas lenhas e como repará-las são a única forma de permanecer voando.

Naquele sábado, voltávamos de uma semana de consertos, tanto o Águia 46 do meu amigo quanto meu HobbyStar 40, já pesados pelo excesso de cola e fibra-de-vidro tentavam novamente ganhar os “ares” da pista.

Fui o primeiro a tentar, abasteci, dei partida e fui para a cabeceira da pista, sempre acompanhado de perto pelo instrutor, um cara bacana e com muita paciência, pois, ficar 15 minutos do meu lado, vendo e consertando minhas “cácas ou dederências” não é pra qualquer um... cumpridas as devidas checagens, fiz com que o modelo começasse a correr pela pista, mas algo não estava legal...  a pista acabando, acabando, acabando e o danado não decolava, não saia do chão, não voava.... e o instrutor:

-         Cabra, cabra, cabra........... (gritando na minha orelha!!!!)

Não teve jeito, o avião fez um buraco no barranco do cafezal em frente a pista e seu motor quase saiu pela cauda...perda total!!!

Meu amigo não perdeu a chance e soltou o comentário com aquela cara-de-pau:

-     Agora você monta uma toupeira!!!!!   Caindo na gargalhada....

Buscamos o que restou do modelo, salvamos o possível dos equipamentos e fiquei à espera do vôo do Águia 46 e claro, da performance do meu amigo.

Somente passados uns 40 minutos meu amigo se resolveu a tentar decolar seu avião.   Se foram mais alguns minutos de testes de motor, para que não acontecesse com ele o que havia acontecido comigo, e lá foi o modelo para a cabeceira da pista para a decolagem!

Tudo correu normalmente, o avião decolou e ganhou altura sustentando-se muito bem a princípio; percebi que ele me olhado de “rabo-de-olho” resmungou:

-     Tá vendo, assim que se conserta avião!!!!

E foi então que numa acrobacia, um looping talvez, o comando do estabilizador do avião  travou acionado no máximo, e o avião começou a girar cada vez mais rápido e mais próximo do chão...por sua falta de experiência e pelo desespero também, não houve qualquer chance e foram poucos os pedaços que pudemos juntar, depois da caminhada pasto-à-dentro por uns trezentos metros, procurando os destroços.

Quando chegamos ao local da queda, a cena se repetiu... perda total e motor saindo pela cauda... não me contive e disse:

-Achei um irmãozinho pra minha toupeira!!!!! A gargalhada foi geral....

 

Poderia ficar pior? Ficou...

 

Ao voltarmos para a pista com os pedaços do avião, notei que as chaves do meu carro haviam caído no meio do pasto, provavelmente ao pular as cercas da fazenda vizinha; meu amigo não sabia se ria da perda das chaves, ou se chorava pelo estrago do avião...

No final ficamos esperando o chaveiro aparecer e abrir o carro, enquanto pensávamos como recuperar “nossos brinquedinhos” e continuar com nosso treinamento.

Hoje somos grande amigos de fé, e de lenha também.

 

E hoje na pista se alguém diz:

-hoje tá ruim!!! Dizemos...”MAS PODE FICAR PIOR”!!!!!!

e a garlhada volta a se repetir.

 

Abraços a todos.

FP Júnior (Marília/SP)