LOJA VIRTUAL
Artigo. Motores de
Combustão Interna... Escrito por Luis Maurício, de Lisboa, Portugal.
- Você sabe como funcionam os motores de
combustão interna? Vou tentar explicar o seu funcionamento, para que, empiricamente, cada
um possa decidir o tipo de "veneno" a utilizar.
-
- Não sou mecânico, fui estudante de Electrotecnia e Maquinas no
Inst.Ind.Coimbra antes de ir para a Guiné. Mas sempre gostei
- de tudo o que é técnica, mecânica, eletrônica, etc.
-
- Há cerca de 30 anos tive um Mini 1000 (British Leyland) que nunca
foi à oficina, tendo sido sempre "tratado" por mim. Foi
- com esse saudoso carrinho que aprendi mecânica sozinho, com a
ajuda de bons livros.
-
- Um motor é constituído basicamente por:
-
- carburador - por onde vai entrar o ar - através do filtro de ar -
e o combustível - através de uma abertura regulável para
- permitir mais ou menos entrada de carburante, e permitir regular a
mistura para mais rica ou mais pobre.
-
- -cilindro - forrado (coberto) pela camisa (metal duro) onde o
pistão (piston, êmbolo, etc) anda para cima e para baixo,
- "empurrado" pela cambota e pela biela (a cambota é o
veio onde se parafusa a hélice no exterior (no caso de aviões), e a biela é
- que faz a ligação entre a cambota e o pistão.
-
- -bloco do motor - dentro do qual foi(foram) aberto(s) o(s)
"cilindro"(s) (buracos de secção cilíndrica "escavados" no bloco
- onde o pistão circula para cima e para baixo, como digo acima).
-
- -cabeça do motor - que é parafusada e vedada com junta na parte
superior do bloco, no interior da qual se situa a câmara de
- combustão e onde é parafusada a vela de incandescência.
-
- -câmara de combustão - situada no topo do cilindro (será o
espaço entre o pistão no PMS-Ponto morto superior - e a
- concavidade interior da cabeça, onde o pistão vai comprimir
(empurrar para cima) a mistura entretanto introduzida pela sucção
- do próprio pistão. É aqui que se vai dar a explosão da mistura
entretanto comprimida pelo pistão (vou explicar mais abaixo). A
- câmara de combustão é ligeiramente côncava no interior
(dependendo da sua "altura" a relação de compressão de que falaremos
- mais abaixo).
-
- -válvulas de admissão e escape - (em motores de 4 tempos) por
onde entra a mistura de combustível sugada pelo pistão e por
- onde saem os gases após a combustão empurrados pelo pistão, para
o tubo de escape.
- Quando o pistão vai descendo, vai sugando (chupando) a mistura e
enche o cilindro. Quando vai começar a subir (empurrado
- pela biela e pelo girar da cambota) vai comprimir a mistura
entretanto admitida, até chegar ao cimo do dito cilindro (P.M.S.),
- ficando aquela quantidade de combustível comprimida num espaço
bem inferior ao volume que tinha quando foi sugado pelo
- pistão até à base do cilindro, isto é, está comprimida na
"câmara de compressão" (e não vaza pelo espaço entre o pistão e a
- camisa, porque o pistão tem segmento [anilha metálica de
vedação bem adaptada à camisa (daí o amaciamento quando novo)] ou é em ABC (metais de
dilatações diferentes que se vão adaptando e vedando o espaço entre o pistão e a
camisa, não deixando
- "vazar" a mistura novamente para o cilindro, com a
conseqüente perda de potência (menor quantidade de mistura na câmara)
- além de outros problemas que não vêm para o caso).
-
- Imaginem por exemplo uma granada de mão. Tem uma quantidade de
explosivo que está confinada àquele pequeno espaço.
- Quando incendiada, tem de partir o invólucro, para expandir os
gases entretanto criados.
- Se colocássemos a mesma quantidade de explosivo dentro de um bidon
de 200 litros completamente fechado, e detonássemos
- o explosivo, naturalmente o bidon só ficaria mais
"barrigudo" ou abriria umas pequenas fissuras, porque o espaço é muito
- superior.
-
- Na câmara de combustão é precisamente o mesmo. Quanto mais
mistura for comprimida, maior será a explosão e maior será a
- velocidade com que o pistão desce e volta a subir, com o
conseqüente aumento de rotação da cambota (à qual estará ligada uma
- roda/automóvel - ou hélice/avião, ou outros acessórios). Mas a
cambota, biela, apoios do pistão sofrem um "esforço" maior.
- Agora vamos "rebaixar" a cabeça do motor (ou tiramos
anilhas vedantes ou desbastamos mesmo o metal). A câmara de
- combustão fica ainda mais pequena. Portanto, a explosão vai ser
ainda mais "mortífera". Como diz o José Evangelista (Zevang), a
- relação volumétrica é maior. A mesma quantidade (volume) de
combustível ficou tão comprimida que, se o motor estiver bastante
- quente, pode dar-se a auto-inflamação (explosão sem necessidade
de vela), e é aqui que, muitas vezes, se partem os motores.
- A título de exemplo, vamos retirar o filtro de ar a um motor de
automóvel (normalmente, os aeromodelos não trazem filtro de
- ar, senão a afinação teria de ser diferente). O que acontece é
que o ar sugado pelo pistão não encontra nenhuma resistência e
- entra no cilindro com muito maior facilidade. A mistura fica mais
pobre (entrou mais ar do que carburante). Para "compensar" a
- maior entrada de ar, vamos abrir o "gigleur" (ou outro
tipo de entrada de combustível) a fim de manter a mesma relação de
- ar-combustível.
-
- Na prática obtém-se uma maior potência porque passou a entrar
maior quantidade de mistura. Pra um cilindro que estava
- preparado para receber, por exemplo 300cm³ de mistura, passaram a
"entrar" 350cm³ ou mais. Essa quantidade maior de
- mistura vai ser comprimida no mesmo espaço da câmara de
compressão. A explosão vai ser mais forte com o conseqüente aumento de potência
(descida mais rápida do pistão devido à força da explosão).
-
- O princípio dos compressores é o mesmo. Existem diversos sistemas
mas o princípio é sempre "injetar" (empurrar) mistura para
- dentro do cilindro por intermédio de "ventoinhas"
(espécie de "ducted fans"), por forma a aumentar o volume de mistura para
- uma dada câmara de compressão. Quando o pistão vai a descer e
sugar a mistura, o compressor ainda "empurra" mais mistura em
- simultâneo.
-
- Se um automóvel vem preparado para uma relação volumétrica de
1/8 e nós conseguimos 1/9 ou até 1/10 (dez volumes a
- caberem numa câmara preparada para 8 volumes), é claro que
obtemos maior velocidade, mas as bielas, bronzes, cabeça, etc,
- vão "empenando" com o tempo, porque o fabricante
calculou a resistência e resiliência dos materiais para um determinado
- esforço, que foi ultrapassado.
-
- Agora vamos ao escape. Já todos sabem porque é que os carros de
Fórmula 1 não têm panelas de escape, não é verdade?
- Pois! Fazem muito barulho e andam depressa (ainda bem, pois sou
amante de automobilismo)! E os nossos carrinhos familiares
- que têm um trabalhar tão certinho e tão silencioso! Pois! Têm
panela de escape (que, para quem não sabe, é uma espécie de
- "labirinto" por onde têm de "circular" os
gases queimados); são diversos tubos esburacados e desalinhados dos outros, por
- forma a travar a velocidade de saída dos gases (o barulho da
explosão vai ficando pelo caminho, e quase não ouvimos o nosso
- carrinho a trabalhar).
-
- O que sucede na prática? O tal pistão empurra os gases queimados
para o tubo de escape, mas o "raio" da panela de escapamento está sempre a por
um travão na livre circulação dos gases!
-
- Agora, experimentem tirar a panela de escape, ou simplesmente
montar uma panela aberta (sem o "miolo" os tais tubos
- esburacados), do tipo Speedwell ou outro. Que diferença! Faz um
pouco mais de barulho, mas nota-se mais rendimento!
- Ora aí está novamente a "livre circulação" dos gases.
-
- O pistão já não encontra um entrave tão grande a expulsar os
gases queimados então roda mais livremente já podendo
- "aspirar" a mistura com maior fluidez, e assim por diante
(trabalha mais "solto").
-
- Portanto, se retirarmos o filtro de ar dos nossos automóveis
(podemos colocar um filtro de lã de aço para que não entre areia)
- aumentaremos ligeiramente a entrada de combustível e retiraremos a
panela de escape!
-
- E pronto! Espero que tenham compreendido o princípio da tal anilha
em cone que vem nos escapes dos nossos queridos
- motorzinhos para aeromodelismo. Como diz o nosso amigo Guilherme
Bernardino: "Não vem grande mal ao Mundo se a retirarmos
- para acelerações pontuais" (eu próprio fiz isso). Mas ainda
continuo a pensar que se a retirarmos para andar sempre com o stick
- do comando do acelerador no máximo! Bons Vôos!
Hobby Esportes: Divulgação
do aeromodelismo e lealdade com o desportista
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