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TÉCNICA DE ENTELAGEM COM DOPE
A entelagem com dope requer além de paciência, alguns cuidados, pois
é o acabamento do modelo que está em
jogo e a aparência final vai depender desse estágio de montagem.
Essa parte da
construção de modelos requer uma certa experiência. No entanto, com algumas
dicas e um pouco de paciência é possível, até para os iniciantes, fazer um
trabalho muito bom.
Dividimos o
processo de entelagem em 5 partes, a fim de melhor compreensão:
-
Preparação da superfície
-
Aplicação da base
-
Entelagem
-
Preparação para pintura
-
Acabamento
PREPARAÇÃO DA SUPERFÍCIE
Em um ambiente de
trabalho bem arejado e iluminado, e antes de darmos início ao processo de
preparação de superfície, é necessário assegurar que o modelo esteja
preparado para a entelagem. Adicione cantoneiras e reforços nas partes mais
fracas do modelo como por exemplo nas pontas de asas, cantos dos
estabilizadores, do leme e do profundor, nas quinas e junções da fuselagem e
todas as partes que julgar necessário. Isso irá prevenir o empeno da madeira
em função das tensões que serão submetidos pela entelagem.
Com lixa #150 para
madeira, de preferência a Free_cut da 3M ou No-Fil da Norton, lixe todas as
partes cuidadosamente para deixar a superfície bem lisa e eliminar todos os acúmulos
de cola.
Aplique agora uma
camada bem fina de Dope diluído com Thinner a 50%. Seja rápido sem perder o
capricho, o thinner evapora rápido e o Dope pode empelotar em algum ponto.
Após a secagem (+/- 1 hora) lixar com lixa #220 para obter um pré-acabamento
superficial e remover as farpas de madeira levantadas com a primeira demão de
dope.
APLICAÇÃO DA BASE
Agora a coisa começa a ficar boa: aplique pelo menos 05 (isso mesmo,
cinco!) demãos finas de dope puro na área que receberá a entelagem. Aguarde
no mínimo 30 minutos de intervalo entre cada demão, se o dia estiver quente e
seco. Para dias frios e úmidos, este tempo deverá ser maior.
Passe o dope por toda superfície que terá contato com o papel ou
tecido de cobertura. Não se esqueça das nervuras e longarinas, nem de avançar
o suficiente nas áreas chapeadas,
para que o material tenha uma boa aderência. Se o Modelo for elétrico ou
houver preocupação com o peso final do conjunto, aplique somente no contorno,
deixando as nervuras e longarinas livres.
Aguarde agora a secagem da última
camada, com um tempo duas vezes maior do que os intervalos entre as demãos.
ENTELAGEM
A seleção e
preparação do papel ou tecido é a próxima etapa.
PAPEL:
Como regra, procure utilizar
somente papel de seda do tipo japonês que é vendido em lojas de modelismo.
Papel de seda comum, apesar de uma maior variedade de cores, é menos resistente
e fatalmente desbotará de maneira irregular
quando o dope for aplicado.
Claro que não será problema se o modelo receber uma pintura posterior, mas
para modelos como os elétricos onde o papel e dope já são o acabamento final,
a coisa complica. O lado brilhante do papel é o que ficará exposto.
Uma
outra excelente opção é utilizar o Silkspan,
um tipo de papel formado por longas fibras de celulose ou compostos que conferem
maior resistência ao material. Um pouquinho mais pesado que o papel de seda,
mas vale a pena por sua resistência e acabamento final.
Nos dois casos acima, procure orientar as fibras do
papel , de modo a não provocar um empenamento na estrutura, principalmente nas
asas, pois esta orientação determina
qual é a dimensão do papel que esticará mais quando é pulverizada a água
sobre o mesmo. No Silkspan normalmente as fibras estão dispostas de maneira
aleatória, mas uniforme, o que evita distorções ou tensões diferentes
durante a secagem. Para identificar facilmente qual é o sentido das fibras,
coloque o papel contra a luz, dá para ver os pequenos riscos como se
fossem veios de madeira.
NYLON:
No caso de haver escolhido entelar com tecido tipo nylon ou outro material
similar como por exemplo a organza, procure sempre aqueles mais leves de fio
mais fino e com a estrutura a mais fechada possível. Estruturas abertas com
aparência de peneira farão com que seja necessário aplicar muito mais dope
para fechar a porosidade, aumentando assim o peso do modelo, além de prejudicar
no acabamento final. Sempre oriente
a malha (trama x urdume) de maneira que estejam a 45° de inclinação com relação
às longarinas e nervuras. Isso evita empenamentos e confere maior resistência.
Voltando ao processo de entelagem: Após a secagem da última demão da
camada base, o Nylon, Silkspan, Papel Japonês, ou qualquer outro material que
permita a entelagem com dope (o processo é o mesmo para todos), já devidamente
cortado na medida aproximada da área a ser entelada, com certa margem para
manipulação, deverá ser fixado
na superfície o mais esticado possível. Prenda-o com alfinetes. Muito cuidado
nessa etapa, pois é fundamental para um acabamento perfeito.
Vale lembrar que
para evitar o arrasto e esconder as emendas é recomendável começar a
entelagem de baixo para cima e da cauda para a proa do modelo.
Uma vez tudo no seu devido lugar, aplique com um pincel de cerdas firmes
mas relativamente suaves, thinner puro sobre o tecido ou papel somente na área
em que o dope foi aplicado. Em outras palavras, aplique o thinner aonde o papel
ou tecido tenha contato com a madeira. Cuidado,
não deixe escorrer pois pode prejudicar a colagem do modelo. O thinner irá
“dissolver” o Dope anteriormente aplicado, fazendo com que penetre nos poros
do tecido ou papel para adesão;
Após alguns minutos de secagem, pulverize
água em pequenas proporções apenas para apenas umedecer o papel e deixe secar
à temperatura ambiente. Fique
atento à secagem e dê uma atenção especial às asas e estabilizadores,
com a evaporação o papel começará a esticar muito rápido e isso pode causar
algum pequeno empeno, para evitar esse tipo de coisa basta torcer a superfície
no sentido contrário ao empeno antes da água secar por completo. Nunca tente
utilizar secadores de ar quente ou deixar exposta ao sol a superfície em que a
água foi pulverizada, isso pode fazer o papel esticar demasiadamente e o empeno
será inevitável.
Depois de
totalmente seca a água, poderá agora
aplicar uma ou mais camadas finas de dope por TODA a superfície entelada, de
maneira a fechar toda a porosidade do material, deixando-o apto para receber a
pintura;
PREPARAÇÃO PARA PINTURA
Após a secagem total do dope, 48h no mínimo, e haver conferido que não
houve empenamento estrutural, podemos iniciar o processo de preparação para o
acabamento final.
Se for pintar o modelo, lixe com suavidade com
lixa #360 ou #400 para uniformizar a superfície e permitir um bom
acabamento superficial. Cuidado para não cortar a entelagem junto às nervuras
ou arestas.
Se o modelo não for receber pintura, por exemplo no caso de elétricos,
lixe com lixa #600. Não utilize lixa d’água, pois não teremos condições
de molhar a superfície para evitar o empastamento da lixa, além do que é a água
que lhe confere flexibilidade. No uso a seco, a lixa d’água torna-se rígida
e quebradiça. Continue com as lixas secas (Free-Cut ou No-Fil).
Remova agora toda e qualquer poeira
e vestígios do lixamento.
No caso da pintura, aplique como fundo uma fina camada de
Primer Rápido Universal de boa qualidade, assim poderá aplicar qualquer
tipo de tinta sobre o modelo e de quebra, realçará a pigmentação da cor da
tinta escolhida. Aplique o Primer bem diluído e com pistola de pintura ou aerógrafo.
Uma fina camada bem uniforme elimina a necessidade de um novo lixamento, mas se
houver necessidade, recorra novamente à lixa #600.
ACABAMENTO
Um acabamento
“Old-Time” será conseguido com o uso de esmalte sintético para a pintura.
Cuidado, pois como o solvente do esmalte é água-raz, poderá haver
craqueamento da pintura se for aplicado diretamente sobre o dope. Por isso da
importância de se utilizar o Primer Rápido Universal de boa qualidade. Mas se
no afã de terminar logo o trabalho igualmente não permitirmos a cura total do
primer, também poderá ocorrer o craqueamento.
Não é necessário o uso de verniz sobre o esmalte sintético, pois este
oferece boa resistência aos combustíveis.
Se a tinta escolhida for automotiva, a base de poliéster, ou poliuretânica,
não é necessário o uso do primer, mas igualmente recomendamos para um melhor
efeito final. Por outro lado, será necessário utilizar verniz bi-componente
para proteger o modelo da ação do combustível, e conferir-lhe brilho.
Em qualquer dos casos acima, siga estes passos:
-Dilua a tinta com o
solvente indicado pelo fabricante.
-Aplique camadas finas e sucessivas. Não tenha pressa. O resultado final
compensará todo o tempo gasto.
-Não carregue na pintura, estamos pintando um aeromodelo e não uma locomotiva.
-De tempo de secagem entre as demãos (finas e leves) evitando que a tinta
escorra.
Se quiser um
resultado profissional, após 24h de secagem, poderá polir o modelo e ter uma
superfície espelhada. Para isso
quebre toda a superfície com lixa #1200 ou #2000. Deverá obter um acabamento
“embaçado”. Aplique pasta de polir n°2 seguindo as instruções do
produto. Dê polimento com algodão até puxar o brilho. Encere com cera de
carnaúba.
Está pronto! Não
valeu a pena?
E por favor: Vá
voar!!! De nada adiantou esta trabalheira toda para o modelo ficar pendurado na
parede, não é mesmo?
Boa entelagem a
todos,
Felício V.Neto
CASA-SP
BRA11016
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Onde encontrar:
O nylon pode ser encontrado em casas que vendem cortinas ou tecidos no
atacado. Escolha o mais leve e fechado (trama e urdume bem juntos) que
encontrar, pois economizará no peso em função de necessitar de menos dope.
O dope, papel japonês e silkspan, é facilmente encontrado em lojas
especializadas em modelismo. Como
ponto de partida sugerimos a CASA AEROBRAS (www.casaaerobras.com.br
)
Lixas, tintas e solventes indicados
podem ser encontrados nas boas lojas de tintas especializadas em pintura
automotivas.
Hobby Esportes: Divulgação do aeromodelismo e lealdade com o desportista
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