Bolhas nos cascos de fibra de vidro: elas podem demorar, mas aparecem. Saiba como resolver
Por Jorge Nasseh e Otto
Aquino
A curto prazo, a osmose, ou formação de bolhas, é o maior problema dos cascos de
fibra de vidro. Ela ocorre porque o gelcoat externo de um barco possui um
determinado grau de permeabilidade, que, após algum tempo de uso, pode perder
suas propriedades e deixar passar água. Ou seja, com o passar do tempo e
dependendo da qualidade da laminação, é quase inevitável a formação de bolhas no
casco. E elas tanto podem ser quase imperceptíveis, do tamanho de uma cabeça de
alfinete, quanto exageradas, como uma bola de pingue-pongue. Pior: além de ser
um problema estético, um casco afetado pela osmose pode perder até 30% da sua
resistência, e perder desempenho, no caso de barcos de alta performance. Além, é
claro, de desvalorizar bastante o barco. Dependendo, também, da qualidade da
laminação, estas bolhas podem levar vinte anos, ou apenas dois, para aparecer.
Mas, se os produtos usados no caso forem de qualidade duvidosa, quase sempre
elas irão aparecer. Até porque, por incrível que pareça, a resina fabricada
atualmente tem propriedades inferiores à produzida trinta anos atrás. Portanto,
mais cedo ou mais tarde o seu barco poderá ganhar uma ou outra bolha no casco.
E, se isso acontecer, veja aqui o que fazer.
Mãos à obra! Como reparar um casco contaminado?
A melhor maneira é usar um revestimento a base de resina epoxy. Há uma série de
produtos específicos, mas, no entanto, qualquer resina básica (mas sem
solvente!), pode fazer o trabalho. Daí em diante é só seguir estes passos:
1 - Raspar – Se possível, inicie o trabalho
imediatamente após ter retirado o barco da água, porque tudo que estive preso no
casco vai ser removido m ais fácil.Remova toda a superfície do gelcoat
contaminado abaixo da linha d’água, usando um "gelcoat peeler" ou uma lixadeira.
Mas vá com cuidado para não ferir as camadas da fibra de vidro.A remoção do
gelcoat contaminado acelerará o processo de secagem do laminado.
2 - Lavar – Lave o casco com água doce e sabão e
espere secar por, no mínimo, duas semanas. O processo de secagem pode durar até
oito semanas! O laminado precisa ficar completamente seco antes de continuar a
operação. Em lugares com muita umidade, convém instalar uma tenda plástica que
cubra toda a área afetada do casco e até mesmo colocar um aquecedor ou
desumidificador debaixo de lá. A garantia do sucesso do reparo estará
diretamente ligada ao grau de secagem do casco.
3 - Aplicar – Depois de seco, aplique duas ou três
camadas de resina epoxy, com aproximadamente 0.25 milímetros de espessura por
camada, cumprindo rigorosamente o intervalo de aplicação de 4 horas entre cada
demão. Há, no mercado, algumas resinas mais indicadas, como a Gel Barrier, da
Coninco e a Gel Shield, da
International Paint.
4 - Finalizar – Depois de ter impermeabilizado o
casco, lixe ligeiramente o local e aplique duas demãos de primer epoxy e, em
seguida, a tinta antiincrustante.
E como prevenir?
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Resina Especial |
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A melhor barreira química contra bolhas no casco tem sido o uso de laminados
construídos com resinas estervinílicas. Testes com laminados colocados numa
caixa com água a 65 °C, mostraram que em cascos com gelcoat isoftálico e resina
poliéster ortoftálica surgiram bolhas após apenas 50 dias. Em cascos com gelcoat
isoftálico e resina isopoliéster as bolhas apareceram em 75 dias. Já em cascos
laminados com gelcoat isoftálico e resina estervinílicas, as bolhas não
apareceram nem depois de 750 dias de testes!
Para se ter uma idéia, cada 40 dias deste tipo de teste equivale a um ano de
vida de uma embarcação dentro da água. Assim, a probabilidade de se encontrar
bolhas em cascos laminados com gelcoat isoftálico e resina estervinílica é muito
menor que as outras. E o melhor: para se construir uma proteção com resina
estervinílica numa lancha de 40 pés, por exemplo, custa apenas cerca de US$ 150
a mais. Ou seja, não vale a pena economizar.
Leia o original:
Matéria publicada na revista Náutica nº 213
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