Dicas para quem pretende comprar um veleiro

 

Central de Veleiros

 

 

 

Dica número 1

 

Quem procura um veleiro com valores acima de R$ 80.000,00 mil reais, um investimento considerável e  num veleiro que pode com segurança ser transportado navegando pela costa, a busca não deve se restringir a região onde se reside. É preciso abrir o leque para todo o Brasil com vistas a avaliar o melhor negócio. Essa é uma busca que a Central de Veleiros tem condições de fazer, já que atua em parceria com corretores de todas regiões costeiras do Brasil. Esse é um lembrete importante, já que ainda é costume no Brasil alguns compradores limitarem sua busca à região onde residem, podendo, dessa forma, perderem um excelente negócio.

 

 

É cara a manutenção de um veleiro?

 

A resposta a essa pergunta é um taxativo não.

 

Manter um veleiro não é caro. Ele praticamente não gasta combustível, move-se ao sopro grátis do vento. A fibra só depois de muitos anos pode vir a exigir uma pintura. Mastro é algo praticamente "perene". Estais duram muitos e muitos anos. A pintura do fundo só se faz de quando em quando. Os instrumentos e equipamentos do veleiros são feitos para suportar grandes esforços, não costumam estragar ou quebrar. Entretanto, há um sério complicador. Homens se apaixonam por suas embarcações. E daí fazem com seus veleiros as mais diversas generosidades. Este é o risco. Ter um veleiro não é caro, mas pode se tornar caro.

 

 

Qual o primeiro passo antes de comprar um veleiro?

  

Antes de comprar um veleiro é preciso aprender a velejar. Aprende-se a velejar ou em uma escola de vela ou com o auxílio de algum amigo. Escolas de velas existem diversas e normalmente elas estão situadas dentro dos clubes náuticos, sendo que,  não é preciso se associar ao clube para fazer o curso na escola.

 

 

Comprar veleiro novo, usado ou construir?

 

Um veleiro novo custa bem mais caro do que um usado. Desvaloriza significativamente a partir do momento em que se torna usado. O veleiro usado, ao contrário, praticamente não desvaloriza. Se for bem cuidado, seu valor acompanha a inflação. Acreditamos que aqueles que estão iniciando na vela não devam fazer um investimento muito grande, já que pode ocorrer de não gostarem desse hobby/esporte. Quanto à opção de construir também não nos parece que seja a mais recomendável para quem nunca teve um veleiro. Primeiro necessário a pessoa saber se gosta de velejar (e para isso é necessário ter um veleiro). De que serviria alguém passar um ou dois anos construindo um veleiro, colocá-lo na água e, ao final, descobrir que essa não é sua praia? De qualquer maneira se seu sonho for construir um veleiro, vá atrás dele. Há aqueles que construir é o que lhes satisfaz.

 

 

Veleiro pequeno ou grande?

 

Até 30 pés (1 pés – 30,48 cm) de comprimento quanto maior o barco tanto mais fácil de ser manobrado por um iniciante. É mais fácil velejar um veleiro de 30 pés do que um pequeno veleiro sem cabine dos tipos laser, dingue, snipe, etc. Todavia, o registro que esses pequenos veleiros são excelentes para o aprendizado e é recomendável que a prática num anteceda sempre a compra de um veleiro maior cabinado. A partir de 30 pés de comprimento quanto menor o  veleiro mais fácil de manobrar. É bem mais complicado manobrar, em especial sair e chegar no trapiche, com um veleiro de 35 pés do que um de 25 pés.

 

Feitas essas considerações, o melhor primeiro veleiro a ser comprado é o maior que seu bolso poder adquirir até o limite de 30 pés. Mesmo que seu bolso possa ir mais longe, deixe os veleiros acima de 30 pés para segundo barco. Você vai poupar dinheiro e trapalhadas. Mas quanto à afirmação de adquirir o maior veleiro que seu bolso pode comprar uma consideração extremamente importante: mil vezes um barco um pouco menor bem conservado do que um pouco maior caindo aos pedaços.

 

Por que o maior? Porque quanto maior o veleiro, além de ser mais seguro (em tese, pois que dependerá das características da embarcação) é mais confortável. Tamanho significa conforto e conforto, por sua vez, não deixa de representar segurança.

 

Leve em consideração que em um veleiro de 23 pés se acomodam bem duas pessoas,  30 pés três pessoas, 40 pés quatro e 50 pés seis.

 

A imensa maioria dos veleiros existentes à venda no mercado são de fibra. Os de madeira estão cada vez escasseando mais. Estão ficando para o passado. Os de aço são poucos e são mais recomendáveis para quem deseja fazer longos cruzeiros oceânicos, costeiras ou não. Os veleiros cabinados existem a partir dos 16 pés (veleiro Marreco, por exemplo). Veleiros de fibra usados até 20 pés custam por volta de R$ 20.000,00 reais. São encontrados a partir de R$ 10.000,00. Veleiros de 20 até 25 pés custam até R$ 40.000,00 ou R$ 50.000,00. Veleiros 25 a 30 pés custam até R$ 130.000,00 reais. São valores aproximados, claro.

 

Veleiros de série (aqueles que foram fabricados em série por estaleiros) possuem um determinado valor de mercado. Esse valor pode variar 20% para cima ou para baixo dependendo das condições da embarcação, de seus equipamentos e acessórios. Assim, por exemplo, um veleiro Cal 9.2 (30 pés) usado é cotado pelo mercado ao preço de R$ 90.000,00. Dependendo de suas condições, do motor, dos acessórios e equipamentos disponíveis esse preço poderá variar 20% para baixo (R$ 72.000,00) ou para cima (R$ 108.000,00). Talvez o Cal não chegue a variar tanto. A razão disso é que se trata de um veleiro de muita liquidez, ou seja, não é difícil de vender, pois que há boa procura deste veleiro. Então aqui uma outra regra importante: quanto maior a liquidez do veleiro menor a variação de seu preço. Um veleiro O’Day 23, por exemplo, veleiro de grande liquidez, dificilmente se comprará um por mais que 15% de seu preço de mercado ou por menos que 15%. Já os veleiros sem liquidez, normalmente os mais raros, com menos procura e com menos oferta, a variação pode chegar aos 30%.

 

Então vai aqui mais uma sugestão: compre o veleiro que você gosta e quer, mas procure gostar e querer de um veleiro com liquidez, pois que na hora de vender será mais fácil e rápido.

 

 

De madeira, de fibra ou de aço?

 

Veleiro de aço não é uma boa opção para quem está iniciando. As razões disso são três, são necessariamente maiores de 35 pés, são mais lentos em ventos fracos (até 7 ou 10 nós de vento) e só são ideais para grandes cruzeiros no mar. Se você é iniciante da Vela não sonhe longe ou alto demais. Contente-se em sonhar no início com pequenas velejadas de um dia ou no máximo três ou quatro dias.

 

Para quem faz questão de comprar um barco grande e barato uma boa opção é um barco de madeira. Barcos de madeira custam a metade do preço (ou menos) que um barco de fibra. Todavia, pouca gente quer barco de madeira. É que dão muita manutenção. A madeira exige constantes pinturas e reparos. Se você se dispõe a fazer pessoalmente essas pinturas e reparos, tudo bem, o custo será pequeno. Todavia, se for depender de mão de obra especializada, fuja dos barcos de madeira. Importante destacar que existem veleiros de madeira e de madeira, queremos dizer, há aqueles construídos em madeira moldada (chapas sobrepostas, normalmente em três camadas) que são os mais valorizados, os construídos pelo métodos strip (longarinas de madeiras), que são um pouco mais baratos, os tipo multichine que são feitos de compensado, o qual é revestido por fibra no exterior e por epóxi no interior (exemplo são os projetos do Cabinho – veleiros da linha multichine), que são tão valorizados quanto os de fibra (se bem construídos) e os feitos de tábuas com calafeto entre as tábuas, que são os mais baratos (inclusive pelos constantes manutenções exigidas pelo calafeto). O Guanabara, um veleiro que era construído há algumas décadas atrás é exemplo de veleiro em que o casco é construído por tábuas calafetadas.

 

O veleiros de fibra são os preferidos do mercado. A manutenção é bem menor e são leves.

 

 

Com bolina, patilhão, quilha retrátil ou quilha fixa?

 

Bolina é uma “quilha” leve retrátil, ou seja, que pode ser levantada. É leve, porque se não for leve, for pesada e for retrátil, será quilha retrátil. O Bruma 19, por exemplo, é um veleiro que tem bolina retrátil. É bolina porque é leve. Já o Tchê 17 tem quilha retrátil. Quilha, porque ela é pesada.

 

A vantagem do veleiro de bolina é que com ele não encalha em bancos de areia. Dá para subir na praia. Dá para ingressar em qualquer arroio, pois que com a bolina levantada o veleiro cala muito pouco.  Três são as desvantagens: a primeira é que a caixa de bolina rouba espaço dentro da cabine; a segunda é que o veleiro é pouco seguro com ventos fortes (pode virar e não desvirar = não dispõe o efeito joão bobo = não é autoadriçável); a terceira é que para orçar em ventos mais fortes (acima de 20 nós) tem de diminuir o pano (rizar a vela grande e reduzir o tamanho da vela de proa),  o que acarreta em uma diminuição da velocidade. Alguns veleiros de bolina possuem lastros no fundo e interior da casco, cuja finalidade é dar mais estabilidade ao barco. Ajuda, mas essa solução não o equipara a um veleiro com quilha, nem de longe.

 

O veleiro com o patilhão em termos de estabilidade é um meio termo entre o veleiro com bolina e o com quilha. O patilhão é uma “meia quilha” longa e menos profunda que uma quilha normal. De dentro dele sai uma bolina retrátil. Tem a vantagem de não calar tanto quanto um veleiro com quilha fixa. Por desvantagem, não tem a mesma segurança e capacidade de orça de um veleiro de quilha fixa. Assim como no caso dos veleiros de bolina, o veleiro com patilhão é uma boa opção para quem veleja em locais que possuem muitos baixios (normalmente em lagoas ou rios). Em alguns casos, o veleiro de série pode vir com quilha fixa ou com patilhão. O Cal 9.2 por exemplo era oferecido pelo fabricante ou na versão quilha regata (cala 1,70 metro), quilha cruzeiro (cala 1,50 metros) ou patilhão (cala 1 metro).

 

A grande maioria dos veleiros, em especial os que se encontram ancorados junto da costa, são dotados de quilha fixa. É a melhor quilha para quem veleja no mar. A estabilidade é maior. A segurança é maior, já que se virar e se o mastro encostar na água, o peso da quilha ajudará a levantar a embarcação. Em alguns veleiros a profundidade dessa quilha é reduzida com a utilização de um torpedo em sua extremidade. Esse torpedo não prejudica, quando bem calculado e projetado, a estabilidade do veleiro.

 

Veleiros com quilha retrátil são raros. Mas já representam uma tendência de para onde vão os veleiros. A quilha retrátil é o ideal. É levantada normalmente através de um sistema hidráulico, manual ou elétrico. Os últimos projetos do Cabinho (renomado projetista brasileiro) possuem a quilha retrátil (linha SK). Com a quilha retrátil dispõe-se não apenas da segurança que confere a quilha, da velocidade em orça, mas também da possibilidade de passar por cima de baixios e até encostar o veleiro bem próximo à praia. Um luxo, enfim.

 

Ao escolher que barco comprar, bolina, quilha ou patilhão, lembre de considerar a profundidade do local onde ficará o veleiro.

 

 

O que é mais importante verificar em um veleiro usado?

 

O mais importante é saber se você não está comprando gato por lebre, vale dizer, se o valor que você está pagando é o valor correto, o valor do mercado. Para isso é preciso inteirar-se do mercado lendo as ofertas disponíveis. Estando o preço dentro do razoável, o primeiro exame a fazer diz respeito ao estado geral do casco do veleiro. Embora na construção de um veleiro o casco represente apenas 30% do custo total, o fato é que é em cima e dentro daquele casco que vai velejar toda a traquinana a bordo, inclusive você, seus amigos ou sua família. Evite cascos de fibra muito desgastados. Como reconhecer o nível de desgaste? Só olhando vários e comparando. É bem verdade que mesmo assim não é fácil para quem não conhece veleiro. É preciso ter bom olho para isso, o que só se adquire com a experiência. É bom ouvir outras pessoas mais experientes. Depois verifique a marca e o estado do motor, cujo custo também é significativo. Examine mastro e estaiamentos. Examine a hidráulica e a parte elétrica. A aparência geral revela o cuidado que o proprietário tinha com o veleiro. Solicite do vendedor que lhe passe por escrito uma relação de todo o material e equipamento que acompanhará o veleiro.