Como comprar um veleiro


AMYR KLINK


O navegador brasileiro ficou célebre por atravessar sozinho o Oceano Atlântico e o continente antártico. Ele viaja em superveleiros como o Paratii e o Paratii 2 (este último tem autonomia para três anos no mar).

"Para comprar um veleiro é fundamental experimentar. Começar alugando ou saindo em barcos de amigos. Conheço casos de famílias que são apaixonadas pelo mar, que sonham em dar a volta ao mundo, visitam marinas, entram 100 vezes em barcos, mas quando saem pela primeira vez... enjoam. É preciso começar a tomar gosto por velejar para só depois comprar a embarcação.

Na hora da escolha, pense em como o barco será usado. Quantas pessoas vão velejar? Elas vão dormir no barco? Vão tomar banho no barco? Você vai levar comida e água ou vai parar para fazer as refeições fora? Quais são as características da região pela qual você vai passear? Por quanto tempo você vai ficar no mar (dias ou apenas algumas horas)? Essas respostas ajudam a definir que tipo de veleiro é o mais adequado para cada caso: qual é o tamanho certo, quanta água doce e comida ele pode levar, se é melhor o motor elétrico ou o hidráulico etc. Um barco feito para passear no fim de semana não serve para quem quer passar vinte dias no mar, por exemplo.

Tem gente que por desconhecimento escolhe um veleiro supermoderno, mas que não foi feito para o lazer da família, não tem conforto, por ter sido desenhado para competições. Quando isso acontece, é comum que se coloquem vários opcionais para tentar adequar o barco ao uso que se quer fazer dele: gerador, uma âncora mais pesada etc. Esse é um grande erro, que pode até pôr em risco a segurança da família. É como comprar um carro conversível e colocar um bagageiro, um trailer. O barco é muito sensível, os opcionais vão aumentando seu peso e afundando a linha d'água (faixa pintada ao longo do casco do barco na altura até onde ele mergulha nas condições comuns de carregamento).

Para mim, o ideal é montar um veleiro sob medida para o uso de cada um. Nem sempre encontramos barcos prontos com tudo o que precisamos. Uma opção é comprar um sob medida usado. Eu já vi no Rio de Janeiro barcos usados por 30 000 ou 40 000 reais que serviriam para dar uma volta ao mundo."

FONTE: http://veja.abril.com.br/especiais/investimento2002/p_052.html