O Brinquedo Novo

 

 

Estamos ancorados em Railai, uma pequena enseada com uma linda prainha, a leste de Phuket na província de Krabi, Tailândia. Local onde o grande destaque e dado as cavernas. Estas milenares, existem nas montanhas e também submersas. O que faz ter o local um grande fluxo de turistas, sem no entanto perder sua característica nativa.

Suas pequenas enseadas, são bem protegidas pelas enormes falésias, de tal sorte, que muitos veleiros de cruzeiro, neste local ancoram por vários dias, como e’ o caso agora do GUARDIAN.

No segundo dia de nossa ancoragem em Railai, ao cair da tarde, ancora próximo a nos um belíssimo “Ketch”, veleiro de dois mastros, de bandeira italiana. Uma mansão flutuante, com cerca de 120 pés.

A bordo, somente jovens na faixa de 25 a 30 anos. De imediato e’ colocado o infalível de 20 pés nagua, com dois motores de 40 HP e partem com 4 pessoas em direcao ao GUARDIAN.

Saudações, obas e olas, um destes fala o português com forte sotaque italiano, similar aquele falado no bairro do Bexiga em Sampa.

Se estabelece de imediato o papo franco e aberto, imposto e acalentado pelos povos de sangue latino, pois de resto e’ sempre aquela frieza, a geladeira como colocamos.

No cockpit do nosso amigao, a cerveja gelada de praxe, explicações sobre o local e outras informações, alem de nossa historia, já que são poucos os veleiros brasileiros fazendo a volta ao mundo.

Acabamos sendo convidados a jantarmos no mega veleiro, conhece-lo e saber de sua historia.

Massimo, filho único de um grande empresário italiano, no ramo de exportação de petróleo, com 28 anos, resolveu fazer a volta ao mundo de veleiro. Seu pai adquiriu o veleiro na Nova Zelândia e foi entregue em Darwin na Austrália. Enquanto isto, Massimo e mais 2 amigos faziam o curso da navegação na Itália e adquiriam mais experiência, pois ambos já haviam velejado muito pelo Mediterrâneo.

Já estão velejando ha cerca de 8 meses no QUO VADIS, e fizeram o percurso ate a Tailândia, via Indonésia, Singapura e Malásia. Aqui na Tailândia pretendem estar ate o final de 2004 e então demandarem ao Mar Vermelho e Mediterrâneo. De lá e’ o partir para o Projeto já conhecido de todos; Brasil, Caribe, Canal do Panamá e o Pacifico.

A amizade cresce e ao cair da tarde por volta das 5 horas, como combinado vamos conhecer  o QUO VADIS. Ainda durante o dia para podermos ver o mega veleiro por fora e após ao anoitecer conhece-lo internamente.

A tripulação escolhida a dedo por Massimo e seu pai, tem deusas italianas das mais expressivas qualificações como beldades e finas damas. Italiana quando bela e’ de fechar o comercio, alem disto a mulher italiana e’ muito alegre, simpática e extrovertida, de tal sorte ser um prazer sempre constante conhece-las.

Vamos conhecendo o grande veleiro, perguntando sobre alguns sistemas de veleria e seu funcionamento, já que tudo tem seu funcionamento hidráulico. Em contrapartida Massimo nos pergunta sobre diversos aspectos de navegação nesta área do Mar de Andaman, onde já estamos ha cerca de ano e meio. Dicas, macetes e algumas copias de nossas cartas já trabalhadas seriam depois feitas, isto no QUO VADIS, que possui um sistema completo de reprogafia a todos os níveis.

Partimos para o interior do fantástico veleiro, e sorvendo um saborosíssimo vinho branco italiano acompanhado de deliciosos canapés, servidos pelas deusas italianas, íamos tomando conhecimento  da historia de Massimo.

Já havia estado casado 3 vezes, isto com 28 anos, após seu ultimo divorcio, que segundo diziam sentira muito, já não suportava mais estar nas cidades e surgiu a idéia de fazer um cruzeiro a vela pelo mundo e foi a busca de seu sonho.

Sabedor que já estamos ha cerca de 8 anos velejando, dos quais 4 no Oceano Pacifico, não ha necessidade de se colocar do tiroteio de perguntas que fomos alvo.

Ele se sente francamente satisfeito, fazendo algo diferente e como de forma alegre fala, com seu BRINQUEDO NOVO,  que custou cerca de US$2 milhões.

O Brinquedo Novo, e’ algo notável, todo seu sistema de catracas e enrroladores da velas hidráulicos, podendo também serem utilizados manualmente. O seu casco e’ de aço sem entretanto ter aquelas

 

 

 

quinas facetadas das chapas e’ todo arredondado e com acabamentos incríveis não se tem impressão alguma se tratar de um veleiro de chapa.

Os acabamentos em madeira com verniz, estupendamente aplicado, dão um toque sutil as suas cores, azul marinho no casco, com linha dagua branca e friso dourado antes da borda. A casaria branca com detalhes em verniz e vidros fumee bronze, resguardados por esquadrias de aço inox polido.

As acomodações internas, para mais de 20 pessoas, sendo 8 suite e 4 camarotes, salão de estar, jantar, de musica e biblioteca. Diversos lavabos distribuídos estrategicamente de tal sorte que não se adentre ao interior molhado. Alias, em mateira de detalhes e’ algo alucinante.

A cozinha e’ o sonho!! Fogão super industrial, geladeiras diversas e com usos específicos com as temperaturas e consumo de energia em marcadores digitais em suas portas, Adega completa e repleta, dispensas organisaderrimas. Enfim, algo extraordinário.

Na parte dos tripulantes. 2 camarotes para 4 pessoas, que são separados da parte principal e com acesso independente, de tal sorte, que os tripulantes nunca trafegam pela área de hospedes.

A sala de navegação e’ de cinema, visão total, poltronas giratórias e altamente confortáveis, estão a frente de um gigantesco painel onde tem de tudo de mais moderno e sofisticado em termos de navegação e com 2 equipamentos de cada, a primeira impressão que se tem e’ estar se adentrando a cabine de comando de um moderno e de ultimo modelo jato comercial, com a simples diferença de não ser apertado e sim amplo.

O que da’ um toque muito sutil e de elegância são os grandes timoes de madeira notavelmente invernizados apostos de cada lado.

Massimo pode manter contato 24 horas, via telefone com qualquer local do mundo, alem de ter internet no ciber center da biblioteca, onde existem 4 desktop sempre a disposição de seus convidados. Os tripulantes tem acesso sempre em horário que não haja hospedes na Biblioteca, alem disto tem total liberdade de telefonar para casa e verem os filmes de vídeo. Não ha necessidade de depois o Capitão contar o filme!!!!

Notamos neste aspecto dar ele a maior das atenções, jamais permitindo contato maior entre tripulantes e hospedes.

Sua tripulação e’ composta do Capitão, Imediato, Engenheiro mecânico, elétrico e eletrónico, 1 cozinheiro e 2 taifeiros, alem de 2 deckhands. Todos jovens na faixa de 28 a 30 anos com exceção do Capitão que deve ter uns 45 anos se tanto. A tripulação e’ toda italiana.

Ainda que todos jovens, o veleiro esta muito bem cuidado  e arrumado, nada de bagunças. Ele nos contava que o primeiro trato foi este, muita festa, alegria, aventuras e viagens, mas tudo sempre arrumado e limpo e se um camarote estivesse bagunceado sentia muito mais ocorreria o desembarque.

As damas trazem os camarotes como se preparados para fotografias. Nada fora de seus lugares e nenhuma peca de roupa ou do quer que seja amostra.

Na parte de baixo do segundo piso, esta situada a casa de maquinas, grande oficina e salão de manutenção alem do paiol de velas e utensílios de desportes, compressor com diversas garrafas de mergulho, 2 jet, kys , o dingue grande e mais 2 pequenos.

O que notamos e’ que tem de tudo para desportos náuticos.

Dentre seus hospedes existem 3 casais que desde o inicio estão com ele, amigos de tempos de universidade, quando ele se formou em engenharia eletrónica em Milão. Todavia, sempre chegam e partem outros amigos. Aqui em Phuket chegaram mais 2 casais só para estarem na Tailândia. A quem fomos apresentados e brincávamos muito, por eles ainda não terem adquirido a cor bronzeada dos trópicos.

O jantar fora algo incrível, frutos do mar preparados de forma principesca e com entradas, diversos pratos e servidos na parte coberta do convés  num sistema buffet arranjado e finamente decorado na mesa principal.

Recebíamos a camisa oficial do QUO VADIS e em contrapartida ofertávamos a ele os livros da serie GUARDIAN na forma de CD-Rom já trabalhado de forma notável pelo nossos irmão ÁGUIA REAL, que agradou em cheio.

Estivemos juntos por uma semana, inclusive fazendo mergulhos e ensinando-os a utilizarem nossas armas Cobra Ataques, que não ha necessidade de ser falar dos elogios que foram alvo. Mormente depois de saberem serem idéia do maior mergulhador brasileiro, Américo Santarelli.

 

Ele sabia da historia de Santarelli no Brasil, já que seu avo o conheceu pessoalmente quando de uma visita ao Rio pela década de 60.

Américo Santarelli, o projetista e mentor das armas de mergulho Cobra, construiu a fabrica COBRA SUB, hoje Capitaneada por sua filha e nossa boa irmã, Almiranta Monica Santarelli, com a qual estabelecemos nossa parceria a partir do Rio Boat Show 2002, quando a ela fomos introduzidos por nosso irmão Ernani Paciornik.

Inegavelmente este mundo e’ muito pequeno!!!

Com a lancha infalível e seus potentes motores, estávamos rapidamente nos points de mergulho e a noite o pescado era a grande atração do jantar. O que impressionara a todos era o sabor do peixe que não indo a geladeira era o manjar dos deuses.

Atila fez uma boa amizade com uma deck hands. Uma belíssima italiana e praticamente se mudou para o QUO VADIS, passando a dormir no ar condicionado, e obviamente pegando aquele terrível resfriado. Porem como ele dizia, o sacrifico foi valido!!!! Hehehehe....

Ao final de uma semana em que estivemos juntos tempo integral, os amigos partiram e ficamos de nos encontrar no Golfo da Tailândia na costa leste na ilha de Ko Samui, onde existe um restaurante brasileiro, com show ao vivo.

E víamos o QUO VADIS, o mega veleiro italiano zarpar rumo a costa leste da Tailândia e Malásia, onde outros amigos de Massimo chegariam e outros partiriam.

Ficou a excelente amizade feita com o pessoal brasileiro do GUARDIAN e a promessa de quando eles estiverem no Brasil, serem recepcionados por nossos irmãos velejadores, do GG, ABVC, GNB, NAVCLUB, CAPCLUB e RUMOCERTO.

O mais importante foi conhecer um jovem com seu brinquedo novo, porem centrado, equilibrado, respeitador e apesar de sua imensa fortuna, não se sentir realizado na vida e muito menos arrogante.

Saudades obvias, ficaram do Massimo e tripulação onde o GUARDIAN se sentia a vontade a seu lado, ainda que tenha seus 43 pés e seja um clássico de madeira dos anos dourados.

E, inegavelmente acabamos por concluir, não ha menor necessidade de se ter paciência para brincar de dar a volta ao mundo, e’ algo vibrante e ofertado aqueles que tem como máxima a humildade. Humildade de estar sempre “brincando” de internet e levando mensagens de incentivo e animo aqueles que desejam fazer o mesmo. Humildade de ter tido paciência e toda uma vida ter trabalhado numa prancheta e dela ter carreado todos os recursos para promover esta viagem que agora já estamos no oitavo ano.

 

João Sombra

Maio de 2004

 

 

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Os livros da serie GUARDIAN  estão disponíveis no link:

www.aguiareal.com/serieguardian/promo1/pg00.htm