Anti-crustantes, mitos e verdades.

 

 

·Com a finalidade de inibir a fixação e o desenvolvimento de organismos marinhos, os cascos das embarcações são normalmente tratados com compostos químicos. Estes compostos

· conhecidos como anti-incrustantes geralmente são misturados na tinta que é empregada no casco. Compostos organoestânicos, em particular o óxido de tributilestanho (TBTO),

·são muito efetivos, e foram utilizados como anti-incrustantes durante muitos anos (organoestânicos também são aplicados na agricultura e na indústria de madeira e plástico).

· A eficiência do TBTO resulta da liberação gradual do biocida no casco, matando os organismos incrustantes que estão na área vizinha.

·Embora os compostos organoestânicos sejam eficientes anti-incrustantes e tenham propiciado uma economia de bilhões de dólares para a indústria da navegação, devido à

·redução no consumo de combustível e do tempo de doca seca, na década de 1980 foi descoberto que o TBTO e outros anti-incrustantes organoestânicos possuem um tempo de meia vida

· no ambiente relativamente longo (tempo de meia vida na água do mar >6 meses).  Assim, concentrações significativas destes compostos podem ser encontradas tanto em sedimentos

· marinhos como na água, e eles tendem a bioconcentrar nos organismos marinhos. Como resultado da bioconcentração, não é raro que a concentração de TBTO nos organismos marinhos

·seja 104 vezes maior do que na água à sua volta.

·Os organoestânicos, além de serem poluentes persistentes, também apresentam toxicidade crônica à vida marinha a níveis de ppt e podem entrar na cadeia alimentar.

·Em particular, o TBTO causa deformação nas conchas de ostras, mudança de sexo em lesmas e imposexo em caracóis.

· Além disso, o sistema imunológico em golfinhos, peixes e outros organismos marinhos pode ser comprometido, em função da bioconcentração de compostos organoestânicos.

·Devido a esses problemas ambientais e suas implicações, os anti-incrustantes organoestânicos estão sendo banidos mundialmente,  com o apoio da IMO (Organização Marítima Internacional),

·que baniu a aplicação dos organoestânicos como agentes anti-incrustantes desde 1° de janeiro de 2003. O Japão já baniu o uso dos anti-incrustantes organoestânicos e nos

· Estados Unidos o uso do tribulestanhocomo anti-incrustante está bastante restrito, graças à Lei de Controle sobre Tintas Anti-incrustantes à base de Organoestanho, de 1988 (OAPCA).

·As tintas venenosas que usamos no Brasil, tem como princípio o uso de um agregador base cera que abriga carga de biocidaTBTO e biocida usado também na acricultura

· para eliminação de plantas marinhas.

·Depois de aplicada, esta cera vai aos poucos despreendendo particulas de venenos. Algumas tem como propriedade soltar mais rapidamente o biocida pois sua cera(vamos assim chamar)

·é mais mole, outra mais duras. Dê qualquer forma, quando há este despreendimento, o veneno se dilui mas a cera, permanesce. È justamente nesta cera que não se dilui, que o crustáceo se instala.

·Portanto muitas vezes temos cor mas, não temos mais veneno.

·A proposta das novas tintas é produzir um agregante que faça a diluição de forma mais igual, tanto do veneno quanto do agregante.

·Este é o motivo das venenosas em barcos que navegam pouco, terem que ser limpos com uma esponja permanentemente. Remover um pouco da cera para ativar o veneno.

·O tempo ideal para esta renovação varia da quantidade que usamos o barco. Para barcos inoperantes aconselha-se 20 dias entre uma limpeza e outra.

·No caso das selfpolish, caso voce limpe muito terão removido sua capa muito rápido, mas em compensação uma eficiência melhor. Quanto mais demãos, mais tempo para a diluição dos venenos.

·O tempo maximo orientado para este efeito de diluição (desde que aplicado o valor minimo de espessura de 100 microns) , é  um ano de eficiência. 

· Já as ceras duras, é mais facil limpar com maior durabilidade mas, tem um desempenho inferior. Talvez o adequado seja tinta mole com mais demãos.

·Algumas marcas estão abolindo o tribulestanho tambem aqui no Brasil.

·Podemos concluir que tintas selfpolish são muito parecidas pois usam o mesmo princípio. As que tem sistema mais duro também , não obtendo resultados significativos entre uma marca e outra.

·Caros amigos, espero que  possa ter dado uma base de como funcionam as tintas que usamos no País. Tintas que tem durabilidade maior que um ano é uma lenda já que as proprias fabricas

· determinam como prazo um ano(desde que aplicado corretamente e na quantidade adequada).

·Outro mito é que os primers aplicados antes da venenosa impedem osmose. Todos são soluveis , portanto não tem a capacidade de exercer tal proteção.

·O mínimo para uma proteção adequada são tres demãos.

·A quantidade de tinta no rolo, deve ser sempre o mesmo para produzir uma pinura uniforme em quantidade. O pintor tem que ter experiência.

·Voce pode pintar um barco com 02 galôes, como com 01. Esta diferença determina a boa pintura da ruim. Não adianta tres demãos com espessura de uma.

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Um abraço a todos, Eduardo Turuna