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CORAGEM NO PEITO

André Luiz C. Santos

O fato relatado aqui foi verídico e até hoje não vi nada igual. Divirtam-se!

Em novembro de 2001, aconteceu em Belém do Pará, a III Copa Norte de Aeromodelismo, que, além das provas de acrobacia, gincana e muitas lenhas, várias outras atrações aconteceram, como a presença de Chico Brendler dando um show radical com seu helicóptero.

Um amigo meu, popularmente conhecido no ramo aeromodelístico por Novena, um cara meio maluco e que tem "peito" para enfrentar diversas situações e desafios, estava conversando comigo a respeito de possíveis provas para helimodelos que poderiam ser realizadas, como içamento, passagem por obstáculos e a excêntrica possibilidade de... pousar em um voluntário. Ouvindo isso duvidei, principalmente porque a manobra envolve um risco muito grande e talvez o Chico não a fizesse.

Sendo assim, encerramos o papo e fomos nos preparar para a Gincana, onde teríamos que passar por baixo de uma fita a um metro do solo. O Novena foi o terceiro a voar, e, como ele já havia passado de dorso uma vez em outro evento, não hesitou em encarar o desafio. Decolou e depois aproou com a pista. Passar de dorso a um metro e meio do chão é aceitável, mas a um metro? "Ralou" a careca no asfalto, perdendo seus já últimos fios de cabelo. Apanhou o modelo e retornou aos boxes calado, sério e pensativo. Mau sinal.

Após os vôos, Chico Brendler aprontou sua máquina para mais um show e foi aí que constatei que meu amigo era um louco mesmo. Recuperado de sua falta de sorte e ainda com aquela idéia na cabeça, o Novena chegou até mim e perguntou:

Olhei para ele com cara de quem viu assombração e não acreditando no que estava ouvindo, repliquei:

Não acreditei quando eu o vi correndo para a pista e deitando no chão, de peito para cima (é tão maluco que deitou no asfalto escaldante de meio dia). Com a habilidade e frieza de um tetra-campeão, Chico Brendler decolou o helicóptero e direcionou o aparelho ao meu amigo, pairando em cima de seu peito por alguns segundos, depois baixando, baixando, até pousar. Em seguida decolou e partiu para as manobras, recebendo aplausos do público, enquanto o Novena ganhava definitivamente seu atestado de insanidade mental.

Ele veio até mim ofegante, entusiasmado e com os olhos arregalados:

- "Doido, quem? Ele? Tem certeza?" Pensei, com a certeza que faltava algum parafuso naquela cabeça.