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O
VCC – Numa aparente simplicidade, um universo multidisciplinar altamente
complexo.
Vôo Circular Comandado !
Vôo Circular Controlado !
Pois bem; já começa por aí a tal complexidade.
A atualidade trocou aqui no Brasil, o antigo e sobejamente conhecido “U-Control” pelo então VCC. Comandos ou controles a parte, sei que a sigla gera dúvidas e polêmica, mas a realidade é tal que, até o nome da prática, já nos remete a questionamentos e aceitações distintas bem como simpatias individuais.
Não raro percebo comentários seja na web, ou seja nas
pistas provenientes de meros expectadores, simpatizantes, ou modelistas outros,
ao se depararem com uma exibição de aeromodelismo VCC, uma seção de
acrobacias por exemplo, soltarem a velha frase que possivelmente muitos dos
leitores também já tiveram a oportunidade de ouvir,
... “ mas que graça tem isso de ficar virando um aviãozinho em
torno de si ! ... ”
De fato a observação do expectador ou seja lá o que for, faz sentido num primeiro momento, sobretudo quando ele não é sequer modelista, entretanto, a partir de agora procurarei tecer os comentários acerca do que eu tenho podido vivenciar neste universo, que como já disse, que universo complexo!
O girar de um pequeno modelo de avião em torno de si, ainda que motorizado e tido como esporte, pode ser realmente monótono ou algo destituído de maiores prazeres.
O que realmente acontece é que existe um abismo entre a prática e a observação, que poucos são capazes de atinar. Neste particular, a expressão “desconhecimento das coisas” é que impera.
Tenho militado neste ambiente e como bom observador tenho reparado até com um certo grau de tristeza e impotência, gente que inicia a sua prática modelística em VCC, e migra para outras paragens sem se aperceber dos detalhes do mundo que chegou a adentrar e que tão rapidamente abandonara. Não que tal situação seja tão indesejável assim, longe disso, cada um age e faz da sua vida o que quer, entretanto a visão que acaba tendo do VCC e que possivelmente passará a outros quase sempre será recheada de pré conceitos e porque não dizer equivocada.
O mundo do VCC é multidisciplinar. Requer para sua prática atributos hoje pouco encontrados nas pessoas que vivem esse cotidiano onde tem-se que matar um leão por dia, estou aqui me referindo a paciência, pesquisa, entrega a experiências novas, e ao raciocínio constantes.
Infelizmente não chega, tanto aos que vêem a prática somente, quanto àqueles que somente a iniciam, atingem um certo grau de habilidade e param, de que nesta modalidade o número de exigências é gigantesco. Quantas e quantas pessoas iniciaram tal prática e as abandonou sem sequer saberem qual era a maneira correta de se decolar um aeromodelo. Refiro-me aqui a manobra eu diria mais elementar, sem a qual não se inicia nada ! Pois bem, quantas ? Inúmeras. Qual a razão disso ?
Que dizer então, de que na prática de acrobacias previstas pela FAI, ( órgão que regulamenta o esporte a nível mundial ) que existem diversas manobras cada qual com suas exigências particulares de tempo, alturas, tolerâncias, seqüências, entre outras.
Neste campo quero abordar que a necessidade do conhecimento prévio de como as coisas são, passa a ser requisito fundamental para a não formação de desistentes e dissiminadores de pré conceitos.
Ora ora; brincar de gira gira meus caros !! ??
As vezes me indago:
Será que essas as pessoas sabem, essa suposta turma que intitula o VCC de “gira gira modelo”, tem noção, primeiro do número de manobras existentes, e segundo de como executá-las corretamente?
Se sabem, porque não as tentam executar ?
Que espécie de desafio tais manobras representam que tendem a anular os esforços dos praticantes, e assim sendo, somente alguns perseveram ?
A resposta já fora dada, particularmente acho que é o desafio.
A prática correta do VCC é um gigantesco desafio entremeado até de alguns pseudos mistérios.
Quando depara-se com a necessidade da busca da perfeição nas coisas, muita gente esmorece.
Um praticante poderá fazer milhares de vôos, todos sempre numa mesma seqüência, ele sempre encontrará na sua gama executada algo a mudar ou melhorar, e isso torna-se um convite ao aperfeiçoamento tão constante, que faz do executante um ser diferente eu diria.
Convido o leitor para dar um mergulho comigo no que tenho visto se discutir até hoje nas rodas desse esporte VCC, numa tentativa de embasar as razões pelas quais se fundamentam tamanhas incompreensões acerca do esporte.
Discute-se até hoje, o peso ideal de um aeromodelo para acrobacia por exemplo, se deve ser super leve ou se o modelo pode chegar até ou passar de dois quilos.
Polemiza-se até hoje métodos de acabamento, uns repudiam acabamentos em plásticos termo-adesivos, por conta da formação de bolhas e enrugamento, dificuldade de aplicação entre outros, outros repudiam o tradicional binômio tela e dop.
Uns preferem pinturas sintéticas, outros duco e verniz, outros ainda, só a base de poliuretano.
Uns acham que tanques de combustível de modelos de rádio controle podem ser usados, outros não enxergam nisso a menor possibilidade, o mesmo acontece para carburadores dos motores.
Combustíveis então, parece encontro de alquimistas, cada um tem uma fórmula. Pior, o de cada um é o melhor, e via de regra aquele que a gente usa, “não presta” !
No capítulo hélices então, a avalanche de sugestões é ainda maior, porque uma deu certo em determinada situação, aquilo é vendido como pacote milagroso. Uns compram hélices de tamanhos e passos encontrados no mercado de RC, outros as confeccionam .Quanto ao passo das hélices, é quase impeditivo a gente testar passos acima de 6´. Chamam a gente de louco !
Certa feita acompanhei como expectador apenas, uma discussão sobre cabos, se trançados ou lisos (únicos ), seguros ou não, que durou semanas, até que se esgotassem os palpites.
Velocidades dos modelos nas provas, níveis de vôo então,... uma interminável discussão em busca do que é o supostamente correto.
Quanto a madeiras para confecção de modelos, é tradição até nas revistas internacionais, ter-se um cuidado imenso para se escolher o supra sumo da “leveza”. Leveza ?
Mas qual o peso ideal do modelo ? Lembram-se ?
Meus caros, a verdade é a seguinte, esse povo do VCC, por ser diferente na sua essência de prática, conquista cada qual para si um paradigma diferente. Isso é normal, e seguidamente tenta passar “sua verdade” para os outros, o que é mais normal ainda.
O que não é normal, e essa é a tese que eu defendo, é a pessoa não sucumbir a tantas e tamanhas nuances, não ligar para essa enxurrada toda de informações cruzadas, procurar ir somando e experimentando as coisas, sentindo aquilo que lhe foi particularmente ideal e o que não, e prosseguir perseverando na prática desse esporte sem desistência, muito menos precoce.
Quanto ao que eu disse anteriormente sobre pseudos mistérios, já tive até a oportunidade de aferir este sentimento com gente muito experiente no esporte, eu diria até ícones nacionais, o fato de acharmos ter realizado uma belíssima apresentação em uma prova por exemplo, e sermos surpreendidos com um ajuizamento ruim, e pasmemos todos, ... vice versa !!
Como pôde-se comprovar, o VCC aos olhos de quem vê, apresenta-se com uma aparente e até ingênua simplicidade, e na pele de quem pratica, uma assombrosa porém salutar e particularmente prazerosa multidisciplinar complexidade, onde somente pessoas eu diria novamente diferentes conseguem permanecer, prosperar e vencer.
Renato Brossi
É praticante de VCC , F2B.
Hobby Esportes: Divulgação do aeromodelismo e lealdade com o desportista
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